Um dos aspectos que mais me
chama a atenção no formato dos debates presidenciais dos Estados Unidos da
América está ligado ao facto de frequentemente os candidatos se apresentarem de
pé diante dos eleitores. Tem sido essa a regra na campanha presidencial de
2012, presente em dois dos três debates onde se confrontaram Barack Obama e
Mitt Romney, numa tradição que tem acompanhado todas as anteriores campanhas
presidenciais. Não me lembro de ver algo de similar em Portugal no âmbito de campanhas
para eleições de cargos políticos, sejam eles quais forem. Em Portugal, bem com noutros países da Europa, os
candidatos políticos nunca realizaram um debate a não ser sentados. Uma
diferença meramente posicional, sem dúvida, mas que retrata, a meu ver, uma
atitude e uma visão simbolicamente diferente em face do acto da eleição que
existe de um lado e do outro do Atlântico. Assim, por um lado, os candidatos
americanos estão de pé na medida em que se apresentam a eleições para servir os
seus eleitores, numa atitude activa de conquista da legitimidade que deles
emana. Recai sobre os candidatos o ónus de convencer o eleitorado, aproximar-se
das populações e submeter-se ao seu escrutínio e fiscalização, onde
inclusivamente são confrontados com questões colocadas não por jornalistas, mas
por representantes da sociedade civil. Os candidatos estão de pé, e o objectivo
passa por se conseguir colocar ainda mais em biquinhos de pés para que os
cidadãos reparem neles e os aprovem, concedendo-lhes o privilégio de neles
depositarem o seu voto, um direito para o eleitor e uma responsabilidade para o
eleito.
Do nosso prisma,
por outro lado, a ideia transmitida é a de que os candidatos participam nos
debates sentados já que os partidos estão
confortavelmente instalados na poltrona do Estado, funcionando este como a sua
casa, o seu espaço, o seu lugar natural. Os eleitores assistem ao debate “cá de
baixo”, e são eles que devem fazer a aproximação aos candidatos, orbitando em torno dos partidos como tudo o resto no Estado. O acto de eleição
é visto assim como um dever de votar para legitimar democraticamente esse estatuto
dos candidatos. Trata-se apenas de mais um sinal de como o nosso regime tende a fechar-se sobre si mesmo, e se encontra separado dos eleitores e conformado com a sua posição. Sentada.
Uma diferença meramente posicional.
Sem comentários:
Enviar um comentário