segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A herança fatal... do jornalismo

Quem vê a introdução do vídeo desta reportagem da TVI é capaz de não compreender à primeira vista se o mesmo se refere à notícia da acusação, nos termos apresentados pelo Ministério Público brasileiro, de Duarte Lima pela morte da Rosalina Feteira que tem marcado a actualidade, ou se se trata de uma campanha publicitária para uma qualquer produção fictícia nacional, a “nova novela da sua noite” a estrear em horário nobre no próximo mês. “Estas são as principais personagens de uma trama onde há morte, dinheiro, muito dinheiro, há casamentos e traições, há crimes por resolver. Na origem da trama está uma herança, uma herança fatal que já fez uma vítima”. Da mesma forma, a música que acompanha o vídeo, típica de um thriller de acção, suspense, intriga e mistério, quase fará acreditar se não estaremos antes perante o trailler de um novo filme de Hollywood, contendo no seu elenco Bruce Willis, Silvester Stallone ou Arnold Schwarzenegger.

Nada disso. Estamos sim a falar de um caso sério, resultado de um homicídio, envolvendo cidadãos portugueses e que está agora nas mãos da Justiça brasileira e portuguesa. Um caso, portanto, que está à espera de uma decisão judicial, onde se jogam direitos fundamentais das pessoas directamente envolvidas e onde prima um interesse público em punir os responsáveis e absolver os inocentes. Perante estes factos, só resta lamentar a forma descabida – para não dizer vergonhosa – como um órgão de comunicação social nacional decide abordar o tema, apresentando-o aos telespectadores como um espectáculo a não perder numa televisão perto de si. Assim se transforma um caso de polícia num caso de circo, substituindo todo o rigor, racionalidade e isenção que deve caracterizar o jornalismo de informação, por uma dose de sensacionalismo e emotividade com vista a fomentar um clima de “drama, tragédia e horror” que ornamenta grande parte das notícias que constituem a espuma do quotidiano.

É triste, mas reflecte aquilo em que se tornou grande parte do nosso jornalismo na actualidade. A notícia, para merecer a atenção dos nossos ilustres telejornais, tem de ser espectaculosa, polémica, chocante, brutal. Quantos mais ingredientes destes contiver, mais mediática se tornará. O seu valor informativo é relegado para segundo plano, já que a preocupação fundamental do jornalismo em geral deixou de ser informar para passar a ser divertir. E a televisão, ainda hoje o rosto do jornalismo, é sinónimo de diversão e de audiências. Por isso, as notícias deixaram de ser dirigidas à razão dos telespectadores para passarem a ir endereçadas às suas emoções; por isso, todas as notícias são transformadas em novelas e literatura de cordel; por isso, as más notícias, que apelam melhor às emoções fortes, tendem a prevalecer sobre as boas; por isso, em qualquer notícia, entrevista, debate ou reportagem o que serve de destaque não é o ponto que sintetiza a informação ou a mensagem, mas sim aquela citação mais polémica, mais bombástica, muitas vezes retirada de contexto abusivamente, ganhando um significado totalmente diferente do original.

E assim se despreza a enorme responsabilidade que constitui a divulgação de uma notícia. Nesse aspecto, um jornalista deveria estar acima do comum dos mortais, caso contrário a sua profissão - uma das mais nobres que pode haver - deixaria de ter razão de existir. E um jornalista deveria saber que, na notícia, interessa tanto o seu conteúdo como a forma como é dada, e que uma notícia será tão menos rigorosa, transparente, neutra, imparcial e clarividente quanto maior for a promiscuidade entre o seu valor factual e informativo e o sensacionalismo proveniente do desejo de despertar sentimentos e convicções nos destinatários da mesma. A função do jornalismo não é essa, e a apropriação que faz da subjectividade inerente às notícias é ilegítima. Esse julgamento pertence às pessoas, mas o que se assiste constantemente é a uma manipulação tácita e a uma tentativa despercebida de moldar e influenciar sentimentos e consciências através da forma como as notícias são transmitidas.

Poder-se-á dizer que o jornalismo procura apenas ir ao encontro do que as pessoas querem ver e ouvir, tendo de se adaptar às circunstâncias do tempo para sobreviver, pois é desse modo que se geram audiências. Nesse caso, o jornalismo viverá então da herança fatal que recebeu da sociedade em que se insere, onde tudo é fútil, efémero e passageiro, e onde as novidades se mastigam exaustivamente durante um curto período de tempo, para depois caírem no esquecimento como se nunca tivessem existido. Daí as noticias não serem dadas de forma consequente, e o seu valor não ser o factual, estando ao invés dependente do interesse momentâneo que possa ter para o público.

Mas nem isso serve de desculpa. A ser verdade que foi nisso que a sociedade se transformou, também não é menos certo que a comunicação social se tornou nas últimas décadas um dos seus principais poderes, determinante na sua formação e identidade. Não se pode, pois, descartar das responsabilidades, positivas e negativas, que teve e tem na sociedade tal como ela é hoje. Se a sociedade é como é, o poder para a mudar passa também pelas suas mãos. Assim, a comunicação social é livre de seguir o caminho do sensacionalismo e da exploração das emoções baratas, mas nesse caso não se chame jornalismo a reportagens como esta. Porque se a sua preocupação essencial já não é informar da forma mais correcta e independente possível, então o fim pretendido já não serve a função primordial que caracteriza o jornalismo de informação: Formar e Informar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A força que as Palavras (não) têm

Por todo o lado se ouve falar com frequência na Força das Palavras. Alguns descrevem-na até como superior à força física, das acções e das armas, tendo em conta o impacto avassalador que podem provocar, e a profundidade com que nos podem tocar cá dentro. Dizem que as palavras voam mais alto do que os pássaros e ferem mais do que punhais, que têm a leveza do vento e a força da tempestade”. Chegam a ser tão fortes que conseguem dar corda às ideias, derrubar barreiras, salvar vidas e até transformar o mundo.

As palavras são de facto capazes de tudo isso. Mas elas não têm força. Na verdade, não têm nada. São ocas, vazias por dentro. Isoladas, são como breves sombras, conceitos vagos e indeterminados sem qualquer sentido para além do gráfico ou do fonético. A força delas reside no conteúdo, mas o conteúdo – ou seja, o significado – não lhes pertence inatamente, ele é apenas emprestado por nós.

As palavras nasceram para serem preenchidas. Elas são as roupas que atribuímos ao pensamento, que ao fazer o seu percurso até ao momento em que é exprimido, não deixa de passar pelo guarda-fato, que o corporiza e lhe dá forma. As palavras funcionam, assim, como o invólucro em que o pensamento vai embrulhado, são a casca da mensagem que queremos transmitir, a sua face visível para quem está de fora. Por isso dizemos que a força reside nelas, quando na verdade o seu recheio é ditado pela nossa subjectividade: a mesma palavra, a mesma frase, o mesmo discurso, ganham um significado diferente conforme quem os profere e quem os ouve, porque a força das palavras provém exclusivamente da entoação e da convicção que imprimimos, da forma como somos capazes de as manejar e arremessar, e da conotação e do sentido que cada um lhes dá ou reconhece.

As palavras não têm força própria. São neutras. Dizer isto não é diminui-las, nem ao seu valor, muito pelo contrário: se formos a ver, a sua beleza reside precisamente na sua neutralidade e na sua subjectividade, e daí o seu carácter camaleónico e a plasticidade que têm para poderem ser tudo o que nós quisermos. Nós é que as tornamos grandes ou pequenas, gordas ou magras, fortes ou fracas, felizes ou infelizes, suaves ou dolorosas. Considerá-las como tendo força própria, seria amarrá-las aos seus significados, tornando-as mais rígidas, e consequentemente, menos ágeis e mais pobres. Seria assim se elas fossem um fim em si mesmas, mas são apenas um meio, e como tal, são mais livres. A liberdade é a única qualidade que têm de inato.

domingo, 23 de outubro de 2011

ProblemÉtica da República... e não só


“A Ética não vive nas formas de governo. A Ética nasce e morre com o indivíduo. O homem é bom porque é bom. Não porque é republicano.”

Este mote do discurso do deputado Adolfo Mesquita Nunes à Assembleia da República a propósito da proclamada Ética Republicana, ou se quisermos, da ProblemÉtica da República, consegue tocar de forma precisa num ponto fulcral de um certo tipo de mentalidade que flui nas veias da nossa sociedade. As pessoas é que criam, formam e constituem um regime, e o código de valores por este recebido é o dos seus constituintes; as pessoas é que determinam o respectivo sistema ou modelo político e social em que se organizam, e a natureza deste é moldada em função dos respectivos indivíduos, não o inverso. O republicanismo é, pois, uma forma de governo, nada mais. Um indivíduo não é qualificável em função da sua ideologia, e o facto de ser republicano não o investe numa superioridade moral ou ética em relação aos partidários de regimes diversos, nem os dota de outras qualidades pessoais acrescidas. “A República qualifica a forma de governo. É a liberdade que nos qualifica como cidadãos e nos coloca centralmente face ao poder político”, acrescenta o mesmo deputado mais à frente.

Numa outra dimensão da mesma questão, poder-se-ia dizer que este raciocínio se deveria aplicar por igual às convicções ideológicas em geral. E este é um dos aspectos que eu considero mais criticável na área política da Esquerda, indissociável do republicanismo português, e sempre pronta a erguer o estandarte da República como seu. Para a Esquerda, um homem, independentemente do seu carácter, será bom pelo simples facto de ser de Esquerda, e as acções levadas a cabo na luta cívica e política que travar, são sempre norteadas por padrões morais e éticos mais elevados. E da pertença a essa família ideológica advirá a autoridade para falar sempre em nome do povo, e para reclamar como exclusivamente seus os ideais de verdade, liberdade, igualdade, ou justiça social. Um homem de esquerda é aquele que sabe sempre o que é melhor para o povo, melhor até do que o próprio povo que diz representar.

Este pensamento reflecte-se de diferentes formas no organismo vivo da nossa sociedade. Por exemplo, através da ideia de que a Esquerda tem sempre a maioria da população na sua retaguarda, sendo os seus únicos legítimos representantes e porta-vozes, precisamente por serem os únicos com moral para falar em nome dela. A ideia de que o povo é património que lhe pertence naturalmente, partilhando sempre das suas convicções, porque, como toda a gente sabe, o povo é de esquerda, mesmo quando não vota maioritariamente nos partidos à esquerda. Independentemente da representação política, a maioria social (ou seja, da sociedade) nunca deixa de ser de esquerda, e por isso as assembleias populares, constituídas por indivíduos que se auto-investem na autoridade de representar o povo, são mais legítimas do que as assembleias eleitorais. Porquê? Porque os valores de Esquerda são sempre os mais puros, as suas causas, as mais justas, e as suas lutas obedecem sempre aos mais nobres princípios. E daí o sentimento de que quem é de esquerda é bom por natureza, mais ético, mais fraterno, tem mais moral e humanidade do que qualquer outro indivíduo.

Outro reflexo desta forma de pensar é a capacidade de olharmos para pessoas cujo nome se escreve na História pelas piores razões sem nunca nos conseguirmos livrar daquele filtro romanceado trazido pelo conceito de revolucionário, e sem nunca deixar de ter um sentimento de identificação pelas suas lutas, uma certa simpatia ou mesmo nostalgia, tendo em conta que nos são apresentados como modelos que até nos deviam inspirar pelo seu idealismo. Pessoas como Lenine, Estaline, Che, Fidel, Mao, ou mesmo Kadhafi, responsáveis por acções que em qualquer outra parte do mundo seriam descritos como actos criminosos, no que a eles diz respeito não deixam de ser vistos como meros erros de percurso, encontrando sempre justificação na causa maior em nome da qual dizem agir. Assim nascem os carinhosos apelidos de heróis revolucionários, porque todos eles são de esquerda, e portanto, bons por natureza, e portanto, irrepreensíveis do ponto de vista moral.

Acontece que a Ética do povo não está adstrita a nenhuma ideologia ou forma de governo. A ética, tal como a moral, é pessoal e intransmissível, inerente ao código de valores de cada um. É antes na liberdade individual que os regimes se devem ancorar - e já agora, também as ideologias, se quiserem realmente estar ao serviço dos homens. Sem dúvida, uma excelente mensagem para se passar na Assembleia da República a propósito das comemorações da implantação da República.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

"Deceção" ortográfica

“A minha pátria é a língua portuguesa” – Fernando Pessoa/ Bernardo Soares – Livro do Desassossego
A dimensão de uma pátria não se mede pelo tamanho do seu território, mas sim pelos elementos identificativos de uma nação que ela contém. Esses elementos podem ser materiais ou imateriais, sendo que é nestes últimos que reside primacialmente o carácter mais ou menos duradouro de uma pátria, pois é através dos mesmos – Língua, História, Arte, Cultura – que ela se propaga e perpetua no tempo. Já a ideia preconizada por Pessoa de um Quinto Império português como um Império Espiritual, marcado pela busca “de uma índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas daquilo que os sonhos são feitos”, considerava a pátria precisamente nesta acepção, já que “todo o império que não é baseado no Império Espiritual é uma Morte de pé, um Cadáver mandando”. Neste campo, a língua portuguesa pode ser justamente considerada o maior legado de Portugal no mundo, ocupando um lugar de relevantíssimo destaque entre o seu património imaterial. Falada por mais de 250 milhões de pessoas espalhadas por cinco continentes, podemos concluir que foi responsável pelo alargamento e enriquecimento das fronteiras da nossa pátria, e que, mesmo nos dias de hoje, continua em expansão, segundo as estimativas.
Tudo isto a propósito do documento acolhido entre nós através da Resolução da Assembleia da República n.º 26/91, mais conhecido por Acordo Ortográfico, que teve como resultado uma deturpação na forma de ler e escrever a língua portuguesa, amputando-a de algumas das suas premissas essenciais. E antes de começarem a ver as sombras de mais um velho do Restelo preso ao passado porque sim, devo dizer que ninguém aqui é apologista da imutabilidade de uma língua. Afinal, ela evolui da mesma forma que as sociedades. A cada dia modifica-se, com novo vocabulário a entrar, a sair, a cair em desuso ou até a ressurgir, com expressões idiomáticas a ganharem nova pele, despindo-se dos antigos significados; e ainda com os estrangeirismos e o calão, cada vez mais frequentes. Cada novo interlocutor de uma língua dá-lhe um cunho pessoal, atribuindo-lhe uma nova dimensão. E por isso precisa de ser regularmente actualizada, de forma a que livros, dicionários, e principalmente cada um de nós acompanhe o seu trajecto.
O que está de facto errado neste processo é a adopção de uma nova ortografia por intermédio de um decreto – e comecemos por despachar já a questão jurídica: a instituição de um Acordo Ortográfico por imposição de um acto normativo, mesmo dotado de jus imperii, entra num domínio que à partida não lhe pertence. Como vimos, o processo de evolução da língua é conformado pelo natural curso de água da evolução dos povos e sociedades, contando com a contribuição de cada um de nós. Logo, um Acordo que vise alterar de forma substantiva a língua oficial de um Estado, um dos seus símbolos nacionais de acordo com a própria Constituição (art. 11.º), mesmo tendo sido negociado por uma prestigiada academia de ciências, aprovado por uma assembleia nacional, e ratificado por decreto presidencial, carece de legitimidade jurídica. A única forma de a adquirir, a meu ver, seria através de referendo nacional. Afinal, cada um de nós é um (re)inventor da língua portuguesa, um fabricante e utilizador das suas peças – as palavras – e cada um de nós contribui para a sua difusão. Assim, só se a maioria dos portugueses manifestasse expressamente a sua concordância com a implementação do novo Acordo Ortográfico é que, à luz do princípio democrático, o mesmo poderia vigorar legitimamente entre nós.
Depois há a questão de fundo substantiva: um acordo que como este elaborado na secretaria, não podia ter outro desfecho que não fosse a adulteração da própria língua, levando naturalmente a resultados absurdos como aqueles que estão à vista. Parece que se esqueceram que a evolução linguística acompanha não só a ortografia como também a fonética, pelo que mexer numa pensando que não terá reflexos na outra é não compreender o funcionamento de uma língua. Tomemos como exemplo a controversa questão da queda das consoantes ditas mudas, que de mudas nada têm. Em palavras como acção, colecção, espectáculo, afecto, objectivo, projecto, o c dito mudo, porque “não se lê”, influi na forma como se pronuncia a palavra, indicando que se deve abrir o som da vogal correspondente à respectiva sílaba. O mesmo sucede com o p em adopção, percepção, recepção ou excepcional. A sua função não é meramente decorativa, como devia estar à vista de todos, e o seu propósito obedece à lógica da língua e formação das palavras.
Mas no Brasil não caíram as consoantes mudas? Sim, caíram. E porquê? Porque o português do Brasil evoluiu desse modo, principalmente ao nível da fonética, que dispensa o papel exercido por esses c e p, já que a tendência natural na pronúncia das palavras é para abrir o som das respectivas vogais. E assim nasceram a ação, coleção, adoção, ou afeto. Não é português mal escrito, é antes um português fiel à fonética do local onde é falado. Não se trata, pois, aqui, de pôr os portugueses a falar como os brasileiros ou os brasileiros a falar como os portugueses. É tão absurdo fazer cair as consoantes mudas do português de Portugal como seria repristiná-las para o léxico do português do Brasil. A diferente ortografia faz parte da riqueza do português enquanto língua, que se expandiu a novos povos e culturas, passando a fazer parte integrante dos mesmos. A própria língua portuguesa acolheu no seu seio influências latinas, árabes, gregas, visigodas, e mais tarde, mormente nos dias de hoje, anglo-saxónicas. Assim, o português do Brasil, de Angola, de Moçambique, de Cabo verde, de São Tomé, da Guiné-Bissau, e de Timor-Leste não deve ser valorado por aquilo que tem de igual ao português de Portugal, mas sim por tudo aquilo que trouxe de diferente à nossa língua, que é também a deles. Porém, imbuído em nobres objectivos, o Acordo Ortográfico pretendeu uniformizar a ortografia da língua portuguesa para facilitar a interacção entre os diversos intervenientes oriundos dos vários países de língua portuguesa, e não colocar entraves a quem com ela contacta de fora. Ao que parece, só através do novo Acordo é que um português se entende com um brasileiro, ou um angolano, ou um cabo-verdiano.
Se o objectivo era facilitar a grafia da língua portuguesa, o resultado alcançado foi tê-la tornado mais confusa e incongruente, violando mesmo algumas das suas regras basilares. É pena. Não era de excluir que houvesse um diálogo constante entre os responsáveis dos diversos países de língua oficial portuguesa com vista à clarificação das suas regras basilares e núcleo essencial, e a partir dessa base serem feitas alterações ou actualizações com vista a manter a sua identidade no mundo. Mas uma coisa é defender a unidade da língua, outra completamente diferente é defender a sua uniformidade. E se a uniformidade era o objectivo, falhou redondamente, pois em muitos aspectos a grafia nos diferentes países permanecerá com as suas diferenças e qualidades próprias.
Mas parece que, apesar das ondas que se fizeram sentir, o novo Acordo foi acolhido acriticamente por todos os órgãos de comunicação social, tendo já começado a ser introduzido no ensino do português nas escolas. E onde muitos aplaudem as vantagens de passarmos a ter uma ortografia unificada, eu vejo um processo castrador e empobrecedor da nossa língua, uma deceção ortográfica. A nossa pátria ficou, assim, mais pobre com o novo Acordo Ortográfico.

domingo, 16 de outubro de 2011

Namasté!


Com esta saudação é oficialmente inaugurado um novo espaço virtual blogosférico. Sem fitas para cortar, sem discursos para aplaudir, sem comitivas a acompanhar, sem jornalistas para fotografar ou flashes para colorir. Na prática, sem nenhuma razão de ser. Nenhum sentido, nenhum tema, nenhuma causa. Apenas com palavras. E vontade de empregá-las, e a partir delas, começar a construir algo. Demasiado ambicioso? Talvez, mas enquanto o cume estiver à vista, nenhuma montanha será alta de mais, e saberemos sempre qual a direcção a tomar. Até porque “não há um caminho: faz-se o caminho ao andar”.

E por isso começo por me curvar com reverência e a todos saudar:

Namasté!